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Quando ontem Bial anunciou a vitória de Maria, a única, a de verdade, a puta ou santa; não se viu a reação histérica de vencedor e da platéia em geral como foi com Bambam ou Alemão, nem a chuva de papel picado estourou como um gozo como é o costume (esse veio retardado). Ela mesma parecia não acreditar. O apresentador, invariavelmente sensível e nessa final especialmente emocionado, pareceu estar mais feliz com essa conquista do que a própria. Afinal foram 10 programas com apenas duas mulheres vencedoras, sendo que essas duas vieram do povão e entraram no programa por sorteio. No twitter alguns gritavam, choravam, muita gente estava torcendo em casa, mas Maria mesmo não pareceu assimilar a grandeza do acontecido, seja ela financeira ou simbólica.
Maria venceu num mundo dos homens, mas não foi sem penar. Fez tudo que os homens queriam: tirou a roupa, se exibiu em sites, rastejou aos pés de um participante que a subjulgou como muitas vezes deve ter feito na vida fora da casa. Na tentativa de sobreviver nesse mundo tão machista, tomou anabolizantes (que são basicamente hormônio masculino sintétizado), cresceu medidas, perdeu a menstruação e engrossou a voz, híbrida e rouca como de um travesti. Será que ela sente que só tem direito a esse gozo quando seu clitóris inchar, crescer anabolizado como um pequeno pênis? Insuficientemente amada no clube dos meninos, talvez ela sinta que tenha que se tornar um pouco como eles para estar de igual para igual. Essa é a confusão que ela se meteu e que essa conquista pode a levar, agora, a reconsiderar.
Hipóteses à parte, a imagem que ficou foi do olhar ainda triste e chorão de Maria, insatisfeita com a enorme vitória e com essa quantidade considerável de dinheiro. Acho que ela só queria que a gente gostasse dela.